Traumas na infância e uso de drogas aumentam risco de depressão entre universitários, aponta estudo

Traumas na infância e uso de drogas aumentam risco de depressão entre universitários, aponta estudo

Experiências traumáticas na infância, como abuso, negligência e instabilidade familiar, podem deixar marcas duradouras na saúde mental e aumentar o risco de depressão na vida adulta. Quando esses antecedentes se somam ao consumo de múltiplas substâncias psicoativas, o impacto pode ser ainda maior, especialmente entre jovens que enfrentam os desafios da vida universitária.

Essa é a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores da Texas A&M University School of Public Health, nos Estados Unidos. Publicado no periódico International Journal of Mental Health and Addiction, o trabalho identificou uma forte associação entre traumas infantis, uso simultâneo de drogas e sintomas depressivos em estudantes universitários.

Segundo o pesquisador Benjamin N. Montemayor, responsável pelo estudo, os resultados mostram que essas questões não devem ser analisadas de forma isolada. “Descobrimos que esses problemas não são separados, mas podem estar profundamente conectados”, afirmou.


Os pesquisadores avaliaram 2.155 estudantes universitários em tempo integral que haviam consumido álcool nos 12 meses anteriores à pesquisa. Os participantes responderam a questionários sobre uso de álcool, cannabis, estimulantes prescritos utilizados sem indicação médica — como o Adderall —, experiências adversas na infância e sintomas de depressão.

Os dados revelaram que o consumo de substâncias é frequente entre os universitários. Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 73% relataram ter ingerido álcool, 52% disseram ter usado cannabis e 10% admitiram utilizar estimulantes prescritos sem orientação médica. Além disso, 24% afirmaram consumir álcool e cannabis ao mesmo tempo, enquanto cerca de 6% combinaram álcool e estimulantes.

Quase metade dos participantes (45%) apresentou sintomas depressivos classificados como moderados ou graves. Em média, os estudantes relataram ter vivenciado cerca de quatro tipos diferentes de experiências adversas na infância — índice superior ao observado em levantamentos nacionais com universitários, que costuma ficar abaixo de três.

De acordo com Montemayor, esse resultado pode estar relacionado ao perfil da amostra estudada. Como todos os participantes consumiam álcool, é possível que a incidência de traumas tenha sido maior, já que pesquisas anteriores apontam uma relação entre experiências adversas na infância e o uso de álcool ou outras drogas como forma de enfrentamento emocional.

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Os quatro resultados principais

A análise identificou quatro resultados principais. O primeiro foi que estudantes com maior número de experiências traumáticas na infância apresentaram níveis mais elevados de sintomas depressivos recentes.

O segundo mostrou que, mesmo após o controle de outros fatores relevantes, os traumas infantis, o uso de cannabis e o uso inadequado de estimulantes prescritos permaneceram associados a maiores índices de depressão.

Já o consumo de álcool isoladamente não demonstrou associação significativa com sintomas depressivos nessa amostra específica.

Por outro lado, a combinação de álcool e estimulantes foi relacionada a níveis mais elevados de sintomas depressivos, mesmo após o ajuste para histórico de traumas na infância. O mesmo não foi observado para a combinação de álcool e cannabis, que não pareceu aumentar o risco de depressão além daquele já associado ao uso da cannabis por si só.

Os pesquisadores também tentaram aprofundar a análise entre os estudantes que relataram o uso simultâneo de álcool e cannabis ou álcool e estimulantes no último mês. No entanto, os resultados não foram conclusivos.

Segundo Montemayor, isso pode estar relacionado a limitações na forma de medir sintomas depressivos ou ao fato de que o uso combinado de substâncias pode mascarar a intensidade desses sintomas.

Para os autores, os achados reforçam a necessidade de que universidades adotem abordagens integradas para lidar com a saúde dos estudantes, considerando simultaneamente saúde mental, uso de substâncias e histórico de traumas na infância.

“Para apoiar os estudantes de forma eficaz, os programas de saúde universitários precisam ir além do tratamento isolado de cada problema”, destacou Montemayor.

Segundo ele, estratégias mais direcionadas a padrões específicos de consumo de drogas e tipos de adversidade vividos na infância podem ser mais eficazes do que programas generalistas que não levam em conta as experiências individuais dos alunos.

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