O crescimento da população idosa no Brasil tem ampliado a necessidade de atenção à saúde mental nessa fase da vida. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2025 o número de brasileiros com 60 anos ou mais aumentou de 25,8 milhões para 35,2 milhões, passando de 13% para 17% da população.
Nesse contexto, a depressão desponta como um dos transtornos mentais mais comuns entre os idosos. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) estima que cerca de 13% desse grupo já recebeu diagnóstico da doença. Ainda assim, especialistas acreditam que a incidência pode ser maior, já que muitos casos deixam de ser identificados por apresentarem sintomas frequentemente atribuídos ao próprio envelhecimento.
“A depressão no idoso nem sempre se manifesta da mesma forma observada em adultos ou jovens. Muitas vezes aparecem sinais como apatia, isolamento social, perda de interesse por atividades habituais, alterações no sono ou até dificuldades cognitivas que podem ser interpretadas equivocadamente como parte natural da idade. Isso pode atrasar a busca por ajuda e o início do tratamento adequado”, explica Makilim Nunes Baptista, psicólogo, doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Unifesp e autor da Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics.
Importância do diagnóstico
Um diagnóstico diferencial é sempre importante de ser realizado, para avaliar também outras comorbidades, inclusive vários tipos de demências, aponta o autor. Para o especialista, a avaliação psicológica é uma etapa essencial para reconhecer precocemente os sinais da depressão, oferecendo uma compreensão mais detalhada das condições emocionais do paciente.
Ainda segundo o profissional, a importância desse tipo de avaliação tende a crescer nos próximos anos. Projeções do IBGE indicam que, em 2046, a população com 60 anos ou mais corresponderá a aproximadamente 28% dos brasileiros, tornando-se a maior faixa etária do país.
“O envelhecimento da população brasileira exige um olhar cada vez mais atento para a saúde mental. Quanto mais cedo conseguirmos identificar sinais de sofrimento psicológico, maiores são as possibilidades de intervenção, prevenção de agravamentos e promoção da qualidade de vida. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da saúde física em qualquer etapa da vida, especialmente na velhice”, conclui.
(Com assessoria)

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