A depressão, chamada de Transtorno Depressivo Maior no DSM-5 (a “bíblia” da psiquiatria), é um transtorno mental caracterizado por um conjunto de sintomas que afetam o humor, os pensamentos e o funcionamento diário da pessoa.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4% da população mundial sofre com esse problema de saúde mental. Desse total, 5,7% são adultos (4,6% entre os homens e 6,9% entre as mulheres) e 5,9% são pessoas pessoas mais velhas com mais de 70 anos.
Para que uma pessoa seja considerada depressiva, os sintomas precisam representar uma mudança em relação ao funcionamento anterior e causar prejuízo significativo na vida social, profissional ou em outras áreas importantes.
Quais são os sintomas?
Segundo o DSM-5, o quadro é identificado quando pelo menos cinco sintomas estão presentes durante o mesmo período de duas semanas. Um deles obrigatoriamente deve ser humor deprimido ou perda de interesse e prazer nas atividades do dia a dia.
- Entre os principais sintomas descritos pelo manual estão:
- Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias;
- Perda de interesse ou prazer em atividades antes consideradas agradáveis;
- Alterações significativas de peso ou apetite;
- Insônia ou sono excessivo;
- Agitação ou lentidão psicomotora observável por outras pessoas;
- Fadiga ou perda de energia;
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva;
- Dificuldade para pensar, concentrar-se ou tomar decisões;
- Pensamentos recorrentes sobre morte.
O DSM-5 destaca que esses sintomas não devem ser explicados pelos efeitos fisiológicos de substâncias ou por outra condição médica. Além disso, o diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior não é realizado quando os sintomas ocorrem durante episódios de mania ou hipomania, situações que podem indicar transtorno bipolar.
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O que causa da depressão
A depressão é considerada uma condição multifatorial, ou seja, não existe uma única causa capaz de explicar todos os casos. Segundo uma revisão publicada na revista científica Nature Reviews Disease Primers, o transtorno parece surgir da interação entre fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais.
Estudos apontam que pessoas com histórico familiar de depressão podem apresentar maior vulnerabilidade ao transtorno. Além disso, experiências estressantes ao longo da vida — como perdas importantes, traumas, violência, abuso, dificuldades financeiras ou situações prolongadas de estresse — também estão entre os principais fatores de risco.
Pesquisadores também investigam alterações em sistemas cerebrais relacionados à regulação do humor, do sono, da motivação e das emoções. No entanto, a ciência atual entende que a depressão não pode ser explicada apenas por um único mecanismo biológico ou por um simples “desequilíbrio químico”.
Tratamento para depressão
O tratamento da depressão varia de acordo com a intensidade dos sintomas, a duração do quadro e as características de cada paciente. As principais abordagens reconhecidas pelas diretrizes médicas, segundo National Institute for Clinical Excellence (NICE, o serviço de saúde do Reino Unido) incluem psicoterapia, medicamentos antidepressivos ou a combinação das duas estratégias.
A psicoterapia busca ajudar o paciente a compreender pensamentos, emoções e comportamentos associados ao transtorno. Já os antidepressivos atuam em sistemas neuroquímicos relacionados ao humor e costumam ser indicados principalmente em quadros moderados ou graves.
Em casos mais severos ou resistentes ao tratamento convencional, outras alternativas podem ser consideradas por especialistas, como a eletroconvulsoterapia (ECT) e técnicas de estimulação cerebral, segundo esta revisão da Fiocruz.
Pesquisas também mostram que hábitos relacionados ao sono, atividade física, alimentação e redução do estresse podem contribuir para a melhora da saúde mental, embora não substituam o acompanhamento profissional quando necessário.
Quando procurar ajuda?
A presença persistente de sintomas como tristeza intensa, perda de interesse pelas atividades, alterações de sono, fadiga e dificuldades para manter a rotina pode indicar a necessidade de avaliação profissional. O diagnóstico da depressão depende de uma análise clínica cuidadosa e não pode ser feito apenas pela observação isolada de alguns sintomas.

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