Caracterizado por oscilações marcantes de humor, o transtorno bipolar afeta 140 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e pode impactar desde a vida profissional até os relacionamentos pessoais.
A doença é marcada pela alternância entre episódios de depressão e períodos de mania ou hipomania, que costumam envolver aumento de energia, impulsividade e mudanças importantes no comportamento.
Por isso, o reconhecimento precoce dos sintomas é considerado fundamental para evitar prejuízos à saúde e melhorar a qualidade de vida.
Embora não tenha cura, a condição pode ser controlada com acompanhamento médico e tratamento contínuo, segundo especialistas, permitindo que muitos pacientes levem uma vida estável e produtiva.
Quais são os sintomas do transtorno bipolar?
De acordo com Nívea Schweiger, psiquiatra e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, identificar os sinais nem sempre é simples, especialmente porque muitos pacientes passam mais tempo em fases depressivas do que em episódios de mania.
“O transtorno bipolar pode ter fases de depressão e de mania. A pessoa em um estado de mania pode ficar muito eufórica, expansiva ou irritável, com um aumento de energia. Outros sintomas são o aumento da autoestima, a sensação de dormir poucas e já se sentir descansado, a mente acelerada, inquietação e falta de atenção. Não é incomum ainda o excesso de gastos, situações sexuais de risco e envolvimento em brigas. Todo esse comportamento, porém, deve ser algo claramente fora do padrão ‘normal’ da pessoa”, afirma a psiquiatra.
As manifestações variam de pessoa para pessoa e podem ser confundidas com outras condições psiquiátricas. Por isso, a avaliação clínica detalhada é essencial para o diagnóstico correto.
Como é feito o diagnóstico?
De acordo com a especialista, a identificação do transtorno depende da análise do histórico do paciente e da presença de episódios característicos de alteração do humor.
“É preciso que o paciente apresente pelo menos um episódio de mania ou hipomania, que dura menos dias e é mais branda. No entanto, é comum que os pacientes tenham mais episódios da fase depressiva, o que pode induzir a um diagnóstico de depressão, que depois se transforma em bipolaridade quando a pessoa tem um episódio de mania ou hipomania. Cabe ao médico investigar e diminuir a chance de erro no diagnóstico”, ressalta Nívea.
Tratamento exige acompanhamento contínuo
Especialistas consideram a adesão ao tratamento uma das etapas mais importantes para o controle da doença. O uso regular da medicação reduz o risco de novas crises e ajuda a preservar o funcionamento emocional e cognitivo do paciente ao longo do tempo.
“Para o transtorno bipolar, a indicação é de um tratamento medicamentoso contínuo, esse é o ponto de partida. O remédio reduz a chance de crises e preserva o paciente, mesmo que com alguns efeitos colaterais. Inicialmente, o psiquiatra vai estabilizar o quadro, até mesmo com mais medicações, para então pensar em doses mais baixas para a manutenção do tratamento. Tomar a medicação regularmente é muito importante e isso precisa ser trabalhado com os pacientes e também os seus familiares”, diz a psiquiatra.
Alguns dos medicamentos são lítio, ácido valpróico, quetiapina, risperidona, lamotrigina, entre outros
Além dos medicamentos, hábitos saudáveis podem contribuir para a estabilidade do quadro, desde que sejam adotados como complemento ao acompanhamento médico.
“Existem vários remédios com essa função, então o psiquiatra vai ajustar o fármaco e a dose que funciona melhor para cada paciente. O medicamento diminui as chances de crises tanto depressivas quanto de mania ou hipomania, uma vez que elas são ruins para o cérebro e podem, a longo, prazo, comprometer funções cerebrais. É crucial que o paciente entenda que não há um tratamento de cura, apenas de controle.
Hábitos saudáveis ajudam
Terapias alternativas podem ser um complemento, mas não substituem o uso de fármacos tradicionais, segundo especialistas. O que pode ajudar também são horários regulares de sono, atividades físicas, alimentação equilibrada, evitar álcool e drogas, cultivar relações sociais e mesmo uma espiritualidade”, explica a psiquiatra.

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